Além do emprego formal: quais as opções de trabalho após a graduação

Instituições de ensino superior se tornaram espaço de laboratório de experimentações para que os estudantes desenvolvam seu projeto de vida

O que você quer ser quando crescer? Se antigamente a gente precisava ter uma resposta só, hoje não é bem assim. Se no passado um estudante ingressava na universidade em busca de um diploma que o habilitasse a entrar no mercado de trabalho, hoje a relação com o ensino superior é outra. E com o mundo do trabalho também.

Embora o emprego formal seja uma opção, obviamente, a tecnologia e a inovação expandiram muito mais as oportunidades de carreira, que não estão mais restritas somente ao término da graduação. Com o desenvolvimento de diferentes habilidades, vieram mais possibilidades.

Essa mudança de mindset exigiu que as instituições de ensino superior também inovassem em todas as suas vertentes, desde a infraestrutura até o projeto pedagógico.

“A universidade tem o papel de ampliar horizontes e as possibilidade do estudante. Além de contribuir fortemente com o desenvolvimento das habilidades do futuro e do presente, como ensinar a pensar, a ser criativo, liderar e ser liderado, trabalhar de forma colaborativa. É a base para atuar em qualquer área”, afirma Fabrício da Silva Attanásio, Head de Desenvolvimento & Inovação na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

A universidade passou a funcionar como um espaço de experimentação para que o estudante descubra e encontre meios de desenhar seu projeto de vida. “Trabalhar com projeto de extensão, de iniciação científica, como voluntário, atuar em startup ou projetos de pesquisa. A universidade pode ser um grande laboratório porque tem muitas possibilidades. Quando eu entrei na faculdade queria construir um currículo, agora estamos falando de projeto de vida, o que é muito diferente”, diz o professor.

Trabalho por projetos

Em vez de atuar exclusivamente para uma empresa ou negócio, o estudante pode trabalhar por projetos. Tanto os já existentes, como pode ainda desenvolver os seus, viabilizados com cotas de patrocínio. Um projeto pode ser um evento, serviço e até negócio. Dessa forma, lembra Attanásio, é possível conectar várias pessoas e projetos.

“Para isso é preciso ter a capacidade de olhar para a dificuldade e identificar oportunidades. Vender um projeto tem a ver com seu propósito, com sua capacidade de identificar oportunidades com empatia. Não adianta criar algo em que a pessoas não queiram comprar e elas não tenham necessidade, tudo está centrado nas pessoas e nos comportamentos. É necessário sentir isso e depois se articular”, explica.

O professor reforça que não é um diploma em si que vai aguçar a empatia no estudante, e sim a capacidade de saber qual é momento de se impor, se recuar ou ser mais arrojado na busca pelas oportunidades.

Empreendedorismo

Em universidades como a Unisul, os estudantes têm acesso a uma atmosfera que incentiva o empreendedorismo, como empresa juniores, laboratórios de inovação, incubadoras, além de acesso a órgãos de fomento.

Attanásio conta que “pensar além do tradicional” já faz parte da vida do estudante e empreender é um “caminho sem volta.” “Tudo gira em torno de a gente conseguir melhorar de forma contínua as questões que estão ao nosso redor, na nossa casa, bairro, empresa ou cidade. Para isso precisamos de um método para identificar o problema e buscar solução, que nunca é sozinha, é acompanhada de mais pessoas e instituições”, diz.

Nesse processo, a universidade funciona como uma espécie de mentora, por isso a relação com o estudante tende a ser contínua. “Ele não vai para a universidade pega o diploma e não volta mais. Como logo ele vai precisar de mais conhecimento, é possível que não saía dela.”