Caminhão da Unisul leva ciência para alunos de escolas públicas

Local possui laboratórios equipados para transformar conceitos de química e física em experimentos práticos muito divertidos

Laboratórios adaptados dentro de um caminhão levam ciência para alunos de escolas públicas de 13 cidades da Região Metropolitana da Grande Florianópolis. A ação faz parte do projeto de extensão Ciência Móvel, implementado pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Dentro do caminhão, os alunos têm acesso a diversas oficinas que demonstram conceitos de física, química e matemática na prática. O laboratório está todo equipado com pipetas, utensílios de vidro, torneiras, instrumentos de medição e diversas substâncias que permitem a transformação de teoria em prática.

Nas atividades, é possível simular a produção de biodiesel através de óleo de fritura saturado e gorduras ácidas da indústria alimentícia, ou ainda, a fabricação de sabão com a glicerina gerada na produção de biodiesel.

Nas outras oficinas, os alunos conseguem acompanhar o sistema de fabricação de biofilme utilizando a glicerina como agente plastificante, e o aquecimento de água a partir da energia solar, com o uso de materiais reciclados. O projeto conta também com maquetes com iluminação de led gerada por energia mecânica e atividades que fazem a extração de óleo essencial a partir de cascas de laranja. O tema de fundo das oficinas do Ciência Móvel é o meio ambiente.

“Há os experimentos de química como a fabricação do biofilme, de sabão e óleo essencial de um lado do caminhão. Funcionam como se fossem uma exposição de como esses itens são fabricados. Do outro lado, temos os experimentos de energia renováveis que são um pouco mais interativos”, explica a professora da Unisul, Anelise Leal Vieira Cubas, responsável pelo projeto.

Desde 2015, cerca de 3.500 estudantes de 30 escolas públicas visitaram o Ciência Móvel. As oficinas e demais atividades são ministradas pelos alunos dos cursos de Engenharia da Unisul.

Para a professora Anelise, levar a universidade para dentro dessas escolas trouxe ganhos bilaterais. “Estudantes das escolas além de se beneficiarem com os conhecimentos adquiridos com as oficinas, também começam a vislumbrar a universidade como uma possibilidade de futuro.” Por outro lado, segundo ela, ao atuar nos projetos de extensão comunitária, os estudantes e professores da Unisul trabalham questões sociais que enriquecem sua formação enquanto cidadãos.

Baixo aproveitamento escolar é um dos motivadores

A ideia da Unisul de levar ciência de forma lúdica e divertida para os estudantes da educação básica surgiu a partir de estatísticas que demonstram o baixo aproveitamento escolar dos alunos do ensino médio em disciplinas na área de exatas, como física, química e matemática. Quase 90% dos alunos concluem o ensino médio sem saber o esperado para a série, segundo o Ministério da Educação.

Anelise reforça que este baixo desempenho explica o fato de estudantes demonstrarem dificuldade em resolver operações simples de matemática, como frações e porcentagens, e de compreender textos curtos.Para a professora, são vários os fatores que resultam no problema, entre eles o fato de os métodos de ensino não serem atrativos e estarem longe da realidade dos estudantes, pois são apresentados de forma fragmentada, por meio de “decoreba.”

“Também se deve à pouca motivação que o ensino médio consegue dar à física, química e matemática, conteúdos que não motivam a carreira tecnológica e, acrescido disso, infelizmente boa parte dos professores que hoje ensina física, matemática e química no ensino médio não cursou licenciatura nessas áreas.”