Conheça cinco projetos e programas de extensão da Unisul

Instituição catarinense tem ações que abrangem diversos setores e impactam positivamente toda a região, seja na preservação da construção arqueológica ou no uso de energias renováveis para a produção de eletricidade

Não é só aprender. É aprender e aplicar o aprendizado para o bem da sociedade. Pelo menos 10% do currículo dos cursos de graduação devem ser compostos por atividades de extensão, segundo diretriz curricular do Ministério da Educação. Ao lado de pesquisa e ensino, a extensão complementa o tripé da missão do ensino superior.

As atividades extensionistas podem ocorrer em forma de projetos, programas, cursos, oficinas, eventos ou prestação de serviços. Confira, abaixo, cinco ações de destaque desenvolvidas por alunos e estudantes da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul):

Universidade criou primeira escola solar do Brasil

Um dos programas de extensão que ganharam mais notoriedade em toda a região foi o que desencadeou a criação da primeira escola solar do Brasil, localizada na cidade de Rancho Queimado, Santa Catarina. Toda a Escola Estadual Roberto Schütz é alimentada por energia solar produzida por 27 painéis fotovoltaicos desenvolvidos por alunos e professores da instituição catarinense.

A escola solar é resultado de um trabalho que reúne universidades europeias e latino-americanas, com fomento da União Europeia, focado no desenvolvimento de energias renováveis e limpas desde 2007.

“Fizemos o projeto da primeira escola solar do Brasil em conjunto com a comunidade escolar. São 200 crianças e calculamos a energia que precisaria ser gerada. Colocamos aquecedor de água solar, temos um programa de educação ambiental na escola. A escola se transformou em um laboratório vivo, envolve pesquisa, ensino e extensão”, explica Jose Baltazar Salgueirinho Osório de Andrade Guerra, professor da Unisul.

Outro braço do trabalho de pesquisa na área de renováveis é o Grupo de Pesquisa em Eficiência Energética e Sustentabilidade (Greens), que reúne pesquisadores de todos os ciclos do ensino superior da Unisul e da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. “Temos 30 pesquisadores da Unisul, a maioria é graduando. Publicamos dez artigos científicos em revistas de alto impacto internacional. É uma forma de adquirir conhecimento na prática e criar valor para nossos alunos.”

Guerra explica que agora alunos e professores da Unisul vão desenvolver estufas hidropônicas solares. “Para os alunos, é uma oportunidade de formar uma rede internacional para compartilhamento de saberes com universidades destacadas no estudo de desenvolvimento sustentável. Hoje não há espaço seguro se não for sustentável.”

Programa de pré-incubação de startups

Outro trabalho de destaque é o Ânima Nest Pocket, um programa de pré-aceleração de startups, aplicado pela Unisul e demais instituições da Ânima Educação. Neste ano, por conta da pandemia, os trabalhos ocorreram no ambiente virtual.

No Ânima Nest Pocket, alunos, professores e até integrantes da comunidade externa têm oito semanas para criarem uma startup. Para isso, os participantes contam com 17 sessões de mentoria com os principais executivos da Ânima Educação e profissionais com notoriedade no mercado, que ficam disponíveis no ambiente do aplicativo do Ânima Nest.

Os participantes também contam com uma trilha de 40 horas de conteúdos gamificados que seguem a linha de desenvolver a autonomia e protagonismo do aluno, sempre com o apoio dos mentores. Ao final, eles passam pelo “pitch” e precisam apresentar o trabalho, depois recebem o feedback.

Na Unisul, o programa é realizado em parceria com a Incubadora CRIE e iLAB e de forma integrada ao Ânima Lab Unisul. O Ânima Lab é um espaço que conecta universidade e sociedade para troca de experiências, desenvolvimento de produtos, negócios e parcerias. O local oferece programas de desenvolvimento de startups, projetos e cursos de extensão em todas as áreas do conhecimento, além de espaços de coworking que podem gerar novas redes de contato.

Atrair meninas para as ciências exatas

Com o intuito de atrair meninas para os cursos das áreas de exatas e para o universo da pesquisa, a Unisul criou o projeto Meninas nas Ciências, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Alunas de cinco escolas da rede estadual da Grande Florianópolis participaram de oficinas no campus da Unisul Pedra Branca. Elas aprenderam, por exemplo, conceitos de trigonometria por meio de fabricação de acessórios na impressora a laser, e ainda, conteúdos de química ao produzir sabonetes com óleos essenciais. Todas as participantes receberam bolsa auxílio do CNPq.

O projeto fez com que a Unisul ficasse entre as três instituições finalistas no Prêmio ODS Santa Catarina 2020, que reconhece as iniciativas que trabalham para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Apoio para instaurar a cultura de paz nas escolas

Outra das atividades extensionistas de destaque é a que prevê constituir uma cultura de paz nas escolas. Para isso, os estudantes da Unisul participam de uma formação que ocorre no ambiente virtual com fóruns, discussões e webconferências sobre Justiça Restaurativa e os Círculos de Construção de Paz.

Para finalizar o projeto, os estudantes precisam fazer a aplicação da prática restaurativa em uma escola, sob supervisão do professor do projeto. A capacitação permite que os estudantes levem às escolas uma política de paz, de prevenção à violência, trabalhando a consciência de valores morais.

Informação e valorização do patrimônio arqueológico da região

Criado há 20 anos, o Grupo de Pesquisas em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep) é composto por professores e alunos da Unisul majoritariamente dos cursos de Pedagogia, História e Geografia. Reconhecido e certificado pelo CNPq, o Grupep nasceu com o objetivo de valorizar o patrimônio cultural arqueológico da região. Hoje ele abarca projetos de extensão, de iniciação científica e pesquisa.

“O Grupep está envolvido tanto em ações de educação quanto de extensão. A partir dessas atividades, conseguimos institucionalizar as atividades de educação patrimonial, que são o processo educativo para levar à comunidade externa, como escolas, informações sobre a pesquisa arqueológica e da ocupação pré-histórica na região para tentar chegar na valorização e preservação desses espaços. Ninguém preserva aquilo que não conhece, então nossa ideia é fazer com que a população conheça cada vez mais. Temos aqui, por exemplo, sítios arqueológicos de 7 mil anos, é uma ocupação bastante antiga”, explica Geovan Martins Guimarães, coordenador do grupo e professor da Unisul.

Outra ação do Grupep é a chamada arqueologia preventiva contratada em grandes projetos de licenciamento ambiental para emissão de laudos de pesquisa e salvamento de sítios arqueológicos para a liberação da área. O grupo atuou no licenciamento arqueológico do aeroporto de Florianópolis e da BR 386 no Rio Grande do Sul.