‘Desenvolvimento econômico permite sociedade mais justa’, diz professor

José Baltazar Salgueirinho Osório de Andrade Guerra atua no corpo docente da pós-graduação em Ciências Ambientais e Administração

A história do professor José Baltazar Salgueirinho Osório de Andrade Guerra – 52 anos, nascido em Lisboa – com o Brasil começou em 1997, quando ele foi convidado para coordenar um curso de MBA em uma instituição em Florianópolis.

Na ocasião, ele já tinha contato com o reitor da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e não demorou para que passasse a compor o corpo docente da universidade. Primeiro, em 2006, Baltazar começou a lecionar na escola de Negócios e Administração da Unisul, e em 2014, passou a integrar o programa de pós-graduação stricto sensu em Ciências Ambientais e Administração. 

Seu trabalho de pesquisa na área de energias renováveis teve início em 2007, com um consórcio apoiado pela União Europeia que envolve pesquisadores de outras instituições de latino-americanas.  Não à toa, os resultados ganharam destaque no mundo acadêmico dentro e fora da Unisul. Baltazar fundou e lidera o Grupo de Pesquisa em Eficiência Energética e Sustentabilidade (Greens) que reúne pesquisadores de todos os ciclos do ensino superior da Unisul e da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. 

Entre os trabalhos do Greens está a criação da primeira escola solar do Brasil, a Roberto Schütz, localizada na cidade de Rancho Queimado, em Santa Catarina. Toda a escola é alimentada por energia solar produzida por 27 painéis fotovoltaicos desenvolvidos por alunos e professores da instituição catarinense. 

“Nesses projetos temos de desenvolver módulos pilotos com as questões ligadas à sustentabilidade. O desenvolvimento é em conjunto com parceiros, houve diálogo com os governos, teve um impacto grande. Vimos os benefícios que trouxemos para a comunidade escolar. Inicialmente seria só garantir eletricidade com energia renovável, mas o que fizemos foi uma intervenção dentro da sala, com conforto luminoso.”

O docente explica que, no caso da escola, foi utilizada uma tecnologia já existente.  “Não inventamos nada, mas criamos uma escola que funciona só com energia renovável e limpa, que se transformou em caso muito relevante. A escola não tinha eletricidade e fizemos a intervenção em julho, nas férias escolares. As salas eram escuras e nós trocamos as lâmpadas. Foi uma intervenção simples que trouxe um grande conforto. Também implementamos aquecedores solares”, conta. 

Editor de revista internacional

O docente é autor de mais de 200 trabalhos científicos distribuídos entre artigos, capítulos, edições de livros e enciclopédias. Recentemente, foi convidado a ocupar o cargo de editor associado de uma revista internacional de alto impacto, a International Journal of Sustainability in Higher Education, da Emerald Publishing.

“Foi considerada uma das melhores publicações da área, é focada nas universidades, por isso vejo o convite como um reconhecimento da qualidade das pesquisas que a Unisul desenvolve. Fiquei feliz, mas é uma enorme responsabilidade ter de rever artigos, preparar a edição especial da revista, entre outras funções.”

Desenvolvimento sustentável e questões sociais

Baltazar fez graduação em Economia, depois seguiu carreira acadêmica no pós-doutorado em Desenvolvimento Sustentável, Energias e Ambiente pelas Universidades de Cambridge, Universidade Metropolitana de Manchester e Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo. Também é doutor em Ciência Política. Ele conta que queria ser economista do desenvolvimento e trabalhar no continente africano.

“Talvez até pelos projetos internacionais, acabei por migrar para a área de sustentabilidade. Hoje digo que sou um professor do desenvolvimento sustentável, porque reúne economia, sociedade e meio ambiente. Nunca deixei de prestar atenção às questões do desenvolvimento econômico, pois permite a criação de uma infraestrutura para uma sociedade mais justa, com menos desigualdade e mais preservação ambiental.”

Primeiro prêmio foi em Portugal

Alguns projetos de pesquisa coordenados por Baltazar envolvem universidades portuguesas, como a Universidade de Lisboa e a Universidade de Aveiro. Ele conta que, curiosamente, o primeiro prêmio que recebeu enquanto acadêmico foi durante um simpósio sobre as condições climáticas na Universidade de Coimbra.

“Fui como cientista brasileiro e ganhamos um prêmio em uma universidade portuguesa. Hoje não sou 100% brasileiro, nem 100% português. Vivo em um limbo cultural, mas tenho o melhor do velho e do novo mundo. Me sinto feliz nos dois mundos. Tenho saudades da família, do sabor, do cheiro, da luz de Lisboa, que é fabulosa e impressionante. Mas Florianópolis me adotou.”