Educação 4.0: saiba o que é e como revoluciona o aprendizado

Conceito da Educação 4.0 reúne pacote de inovações que estão transformando a maneira de aprender e ensinar nas instituições

Processos automatizados para pagar contas, presença constante de robôs e uso de inteligência artificial, armazenamento de conteúdos na nuvem que podem ser acessados em qualquer lugar do mundo. Antes de falar especificamente da Educação 4.0, propomos uma reflexão: já reparou como a tecnologia, de duas décadas para cá, tornou-se um aspecto presente quase a todo momento no nosso cotidiano?

Essa “invasão” de ferramentas tecnológicas é fruto do processo de uma nova fase da revolução industrial que, segundo o economista alemão Klaus Schwab, é chamado de Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0.

Na esteira da nova versão da Revolução Industrial que exigiu todos nós desenvolvêssemos novas habilidades e competências técnicas, veio a revolução da Educação. Em sua versão 4.0, a Educação reúne uma série de inovações muito mais alinhadas ao aluno do século 21, que precisa ser desafiado para aprender.

A proposta contrapõe o modelo educacional da década de 50, com carteiras alinhadas, giz, lousa e a figura do professor no centro do processo de aprendizagem.

A Educação 4.0 tem como premissa oferecer uma aprendizagem envolvente, com uso de metodologias ativas. Por meio delas, o aluno deixa de assimilar conhecimento de forma passiva e é o tempo todo instigado pelos professores – que ganham o papel de mentores – na busca por respostas e resolução de problemas.

Inovação no ensino superior e ensino híbrido

Além do uso de metodologias ativas, outro instrumento importante de inovação da Educação 4.0, principalmente no ensino superior, é a hibridez no ensino. O mix de encontros presenciais e atividades mediadas por tecnologia já demonstrou que otimiza o aprendizado e se adequa mais às necessidades dos alunos.

Essa mistura, inclusive, possibilita a aplicação de um método chamado sala de aula invertida que traz mais dinamismo ao aprendizado. A proposta é que os alunos tenham contato com o conteúdo antes do encontro presencial, a partir de videoaulas, artigos e podcasts, entre outras ferramentas.

Ao chegar em sala de aula, o objetivo é que o aluno já tenha assimilado os conceitos e seja capaz de, por conta própria, trazer questionamentos mais aprofundados sobre as aplicações dos conceitos aprendidos. Além disso, o tema também é levado a debate em grupo, o que estimula o raciocínio lógico e o pensamento crítico.

Atividades mão na massa e currículo transversal

Na Educação 4.0 também aparece o conceito learning by doing (aprender fazendo). Ele traz a ideia é de que o aprendizado acontece de forma mais rápida e rica quando ocorre por meio experiências práticas e atividades chamadas “mão na massa.” Melhor ainda se acontecerem em espaços maker, outro conceito de inovação.

Esse quesito pode ou não estar ligado à tecnologia. Games, aplicativos e softwares podem ser boas ferramentas, assim como impressoras 3D e computadores. Mas o objetivo das atividades “mão na massa”, no entanto, é tornar o aprendizado mais significativo aos alunos, e isso pode acontecer até por meio de itens recicláveis e sucata. O que está em jogo nesse tipo de exercício é o processo de construção, e não necessariamente o produto.

Os currículos também ganham uma espécie de atualização com a Educação 4.0. Eles passam a ser muito mais transversais, eliminando a ideia de disciplinas separadas por “caixinhas”. Afinal o conhecimento não se constrói de maneira departamentalizada.

Implementação da Educação 4.0 exige mudanças

Implementar as inovações previstas pela Educação 4.0, todavia, exige mudança. A primeira e mais imprescindível é a formação de professores, que seguem tendo papel relevante e fundamental no ensino do futuro. Tais profissionais terão de ter sabedoria e qualificação para lidar tanto com as novas tecnologias quanto com os diferentes métodos pedagógicos.

As instituições de ensino também devem adequar suas infraestruturas. Além do investimento em tecnologia para o ensino e aprendizagem remotos, vale redesenhar a sala de aula para as atividades presenciais. Espaços makers onde os estudantes podem criar protótipos e fazer experimentações são importantes aliados da inovação.

O resultado é a formação de um aluno mais autônomo, com pensamento crítico e muito mais preparado para enfrentar os desafios do mercado de trabalho.