Estágio e trainee: entenda as diferenças e a importância da experiência profissional

Enquanto um é destinado aos estudantes que ainda estão na faculdade, outro é forma que empresas recrutam recém-formados com potencial para assumir cargos de liderança

Frequentemente usados como sinônimos, estágio e trainee são programas muito diferentes e não podem ser confundidos. Embora ambos sejam voltados para jovens em início de carreira, o estágio é direcionado para estudantes que ainda estão na faculdade, já os trainees para os recém-formados ou que estão concluindo o curso.

Estágio desenvolve competências práticas da profissão

Como o objetivo do estágio é principalmente preparar para o ambiente profissional, neste tipo de regime o estudante não tem carteira assinada ou direito a benefícios trabalhistas. A remuneração ocorre em forma de bolsa-auxílio, além disso é comum que as empresas concedam auxílio transporte.

A carga horária não pode ultrapassar 6h30 diárias, até porque o estagiário precisa conciliar o trabalho com os estudos. A duração do contrato é de cerca de um ano, e não pode exceder dois. Depois disso, se a companhia quiser mantê-lo, ele deve ser efetivado.

Outra questão muito importante é que um estagiário nunca substitui um colaborador. Ele precisa atuar, inclusive, sob a supervisão profissional de alguém de sua equipe. Qualquer universitário pode estagiar, mas para que seja algo que contribua com sua trajetória acadêmica, é imprescindível que o programa esteja relacionado à sua área de formação.

As empresas também precisam obedecer a um limite máximo de número de estagiários. Eles não podem ultrapassar 20% do quadro nas companhias que possuem acima de 25 colaboradores.

Quer saber mais? O estágio foi regulamentado por pela Lei 11.788, de setembro de 2008,  com o intuito de compor o projeto pedagógico de um curso, seja da educação básica ou de ensino superior. De acordo com a legislação, ele pode ou não ser obrigatório, e visa preparar o aluno para o ambiente de trabalho.

Para formar um bom profissional, com potencial de crescer no mercado de trabalho, não basta ensinar o “saber teórico”: é preciso investir também no “saber fazer”, resume Vanderlei Brasil, professor da disciplina Orientação de Carreira e Desenvolvimento Profissional no curso de psicologia da  Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Embora a formação acadêmica seja extremamente relevante, ele explica, não é o suficiente para preparar um aluno de ensino superior para encarar o mercado de trabalho – e é nesse ponto que entra a importância do estágio.

“O estudante, quando entra na universidade, tem uma noção de conhecimento que ainda existe no ensino médio, de memorizar o conteúdo. E, por mais que a memória seja relevante, não é capaz de resolver por si só um problema profissional. Por isso, o estágio acaba funcionando como um treino para o mercado de trabalho. O estudante evolui seu raciocínio lógico e a capacidade de superar desafios que serão propostos na carreira pós-faculdade.”

Em contrapartida, o programa de trainee, além de oferecer qualificações, pressupõe uma pessoa já formada ou em vias de se formar. Ele não atua mais com uma figura de estudante, mas sim como um profissional já graduado, contratado com carteira assinada e com os benefícios trabalhistas previstos pelo regime CLT.

Programas de trainee recrutam jovens talentos

Já os programas de trainee funcionam de forma totalmente diferente. Na verdade, eles são estratégias de grandes empresas para atrair e reter jovens talentos. Costumam ser compostos por acirrados processos seletivos que exigem domínio de idiomas, entrevistas com gestores, testes de raciocínio, provas de conhecimentos gerais e dinâmicas de grupo. Uma seleção dessas pode durar meses.

“Grandes empresas costumam buscar jovens talentos para seus programas de trainees, para moldá-los para o mercado de trabalho. O estudante já deve estar apto a realizar as funções de um formado, sendo o intuito colocá-lo em um cargo fixo após a conclusão do programa”, explica Vanderlei Brasil.

De acordo com o Sebrae, tanto no recrutamento quanto durante o programa de trainee, as virtudes que mais costumam ser levadas em conta são: liderança, capacidade de comunicação, criatividade, empreendedorismo, flexibilidade, foco em resultados, capacidade de solução de problemas, visão estratégica, visão de negócios de forma ampla, proatividade e habilidade para trabalhar em equipe.

Tenha em mente que o objetivo das companhias é encontrar profissionais com capacidades técnicas e socioemocionais capazes de assumir posições estratégicas no futuro. Por isso, depois de selecionados, os jovens talentos costumam ser envolvidos em atribuições de caráter gerencial. Se apresentarem alta performance, são promovidos rapidamente.

Os trainees cumprem a mesma carga horária dos demais colaboradores e, mesmo sendo iniciantes em suas carreiras, costumam ser bem remunerados e ter contratos via CLT com todos os benefícios trabalhistas. De acordo com o Sebrae, o salário de um trainee gira em torno de R$ 5 mil, o que pode parecer alto para um profissional sem experiência.

Empresa molda, profissional cresce

No caso dos trainees, como estão integrados em times de grandes empresas, os profissionais pré-graduados também têm a possibilidade de participar de cursos, workshops e seminários que agregam conhecimento e ajudam a expandir o networking.

Para as empresas, a vantagem de contratar profissionais juniores é poder moldá-los ao longo dos anos, de acordo com seu propósito e cultura, desenvolvendo aptidões necessárias para cargos de liderança.

Enquanto o profissional vê a chance de uma ascensão rápida, a companhia tem a comodidade de dispensar seleções externas para encontrar colaboradores atuantes no mercado, muitas vezes já cheio dos famosos “vícios profissionais”.

Papel da faculdade na inserção do estudante em estágios e trainees

Um dos papéis mais relevantes de uma instituições de ensino superior é oferecer o suporte adequado para seu ingresso no mercado de trabalho – seja ele por meio de estágios ou trainees. Nisso entra o apoio na hora de buscar vagas, auxiliar nas partes burocráticas do contrato de estágio, instruir o estudante no processo seletivo e até ajudá-lo a elaborar um currículo, a partir dos conhecimentos e qualificações adquiridos na universidade.

No caso específico da Unisul, existe o programa Unisul Carreiras, uma plataforma colaborativa onde empresas podem oferecer suas vagas e estudantes buscam oportunidades de estágio, trainee e até empregos formais.

É também um diferencial da faculdade fazer convênio com as chamadas agências integradoras, como CIEE e IEL, responsáveis pela integração de estudantes de escolas e universidades com o mercado de trabalho – no caso da Unisul, são mais de 20 agências conveniadas.

Isso sem contar os programas de estágio obrigatório, exercidos tanto em estruturas internas da instituição, como as clínicas-escola, como em órgãos externos. Nesse último caso, cada coordenador de curso é responsável por alinhar parcerias com empresas e organizações. “Um estudante de fisioterapia, por exemplo, pode passar por uma experiência em hospitais e clínicas especializadas, enquanto psicólogos podem atuar, além de centros hospitalares, em escolas ou até empresas”, resume Vanderlei.

De uma ou de outra maneira, o essencial é que o estudante coloque, com o apoio da instituição de ensino superior, seus conhecimentos à prova antes de receber o diploma de graduação.

 

Conteúdo original UniBH.