Intercâmbio garante melhora no português e mais conhecimento sobre o Brasil

Luís Sosa Santiago nasceu na República Dominicana, mas mora nos Estados Unidos e tem interesse em estudar a América Latina 

Depois de seis semanas de aulas com professores da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Luís Sosa Santiago, 28 anos, conta que sua proficiência na língua portuguesa aumentou. De quebra, ele aprendeu muito mais profundamente sobre a cultura e história do Brasil. Santiago nasceu na República Dominicana, por isso tem interesse em estudar a América Latina, embora hoje more em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

O estudante foi contemplado pelo Critical Language Scholarship Program (CLS), um programa realizado entre a Unisul e o governo dos Estados Unidos, que permite que universitários norte-americanos passem uma temporada estudando na instituição catarinense. Por conta da pandemia do coronavírus, no ano passado os intercâmbios foram feitos de maneira virtual, assim como ocorrerá neste ano.

“Ganhei uma bolsa do Departamento de Estado dos Estados Unidos [o CLS], que eles dão para cidadãos americanos aprenderem línguas críticas para os interesses nacionais dos Estados Unidos, e a Unisul foi a universidade sócia para o programa de português”, diz ele, que é naturalizado americano e fala, além do português e do inglês, espanhol e francês. 

Por isso, não foi dessa vez que Santiago conheceu o Brasil. Ele é graduado em Relações Internacionais com Estudos Latino-americanos e fez MBA em Administração de Empresas com foco em finanças. Em Nova Jersey, o dominicano trabalha como analista de sanções econômicas em operações que investigam lavagem de dinheiro. 

Santiago estudou a língua portuguesa na Middlebury College, uma instituição americana, e sonha em visitar lugares como Bahia e Santa Catarina, que estão fora do eixo São Paulo-Rio de Janeiro, muito explorados pelo noticiário. Cogita até trabalhar no Brasil, quem sabe um dia. 

“Queria conhecer uma região brasileira ainda pouco descoberta pelo mundo. Rio e São Paulo são cidades muito grandes e cosmopolitas. Gostaria de conhecer o Brasil mais puro, sem tanta modificação da influência estrangeira.”

Brasil, foco da América Latina

Para Santiago, quem tem interesse na América Latina precisa estudar sobre o Brasil, sobre cultura e economia, até para conhecer melhor o restante da região. Enquanto não chega o momento de viajar para o Brasil, ele aproveita oportunidades como esta oferecida pela Unisul. Durante seis semanas, Santiago conversou com alunos e professores da Unisul sobre diversos assuntos acerca do Brasil, como história, racismo, política e até culinária. 

“Eu adorei o programa, foi muito bem coordenado, os professores são muito bem preparados e não tinha uma visão de mundo exclusivamente brasileira, e sim, algo mais global. Tivemos palestras, mas também conversas com colegas de classe sobre temas informais que não falávamos nas aulas.”

O CLS  proporcionou discussões sobre o planejamento urbano no Brasil, o uso de soluções mais sustentáveis e passagens históricas.

“Também pudemos conhecer um pouco das diferentes regiões do Brasil, porque nem todos os professores da Unisul eram de Santa Catarina. Uma colega nascida no Nordeste falou sobre sua experiência nos espaços laborais, enquanto mulher, e tratou de temas como sexismo.”

No início e no fim do estágio, os estrangeiros fazem testes de proficiência no idioma. O de Santiago apontou avanço no domínio da língua. Agora é só partir para o Brasil.