Metodologias ativas de ensino: entenda as ferramentas

Metodologia ativa, como o nome diz, prevê que aluno aprenda de maneira ativa por meio de resolução de casos e trabalho em equipe

Todo mundo sabe que o estudante do século 21 é mais ágil, mais informado e precisa ser desafiado em seu processo de aprendizado. Por isso, muitas instituições de ensino têm adotado metodologias ativas de ensino, que podem ser aplicadas da educação básica até o ensino superior.

A metodologia ativa prevê que os alunos sejam protagonistas de sua aprendizagem, estimulando o desenvolvimento da criação e pensamento autônomo. Os professores, por sua vez, atuam como mentores. Eles não apresentam respostas prontas aos estudantes, mas sim os incentivam a buscarem e discutirem soluções coletivamente, estimulando seu raciocínio lógico e criatividade.

O trabalho em equipe é muito presente, e o conhecimento é construído a partir de estudos de caso e resoluções de problemas que poderiam ser reais no mercado de trabalho. O método estimula os processos de ensino e aprendizagem sob uma perspectiva crítica e reflexiva.

“As metodologias ativas não são aquelas que fazem o aluno aprender passivamente o conteúdo, mas sim as que permitem que eles ‘viajem’ em sala de aula”, compara Rafael Ávila, diretor de inovação da Ânima Educação, que tem a Unisul como uma das integrantes por meio de parceria de cogestão.

Segundo Ávila, há um portfólio enorme de metodologias que garantem esse objetivo. Embora haja algumas diferenças entre um modelo e outro, em comum todos eles têm o propósito de colocar o aluno no centro da aprendizagem.

Aula invertida e Ensino Híbrido

Falando de técnicas realmente práticas de como inserir a metodologia ativa em sala de aula, um dos exemplos mais claros é a aula invertida. Nela, o aluno tem acesso à parte teórica e a todos os conceitos antes de chegar em sala de aula, usando recursos tecnológicos para isso, indicados pelo professor previamente.

Esse método é possível graças ao Ensino Híbrido, modelo que une o melhor do virtual e presencial: conteúdos que não precisam de presença física para serem ensinados, são apreendidos em casa, na internet e em plataformas digitais, enquanto as atividades ativas e com maior troca entre estudantes e professores ficam para o presencial.

Design Thinking

O Design Thinking é um dos métodos mais sofisticados de metodologia ativa. Sua essência é resolver um problema prático da profissão, e funciona com quatro etapas principais: o entendimento do problema; a ideação, onde, com um debate coletivo, são colocados na mesa os pontos de vista e possíveis soluções para o desafio – uma forma de brainstorming -; a prototipação, momento em que as ideias e conclusões são colocadas no papel (podendo ser em diversos formatos, dependendo do curso, como desenhos ou projeções 3D); e, enfim, a validação, onde o resultado final é testado na prática.

Professor segue tendo papel primordial

Embora as metodologias ativas de ensino coloquem o aluno no centro da aprendizagem, o professor continua tendo papel relevante e primordial. Por isso, terá de ter ainda mais preparo, a fim de estar apto a estimular uma reflexão ou provocar um olhar a partir de uma outra perspectiva.

São os docentes, que no papel de mentores ou facilitadores, terão de pensar as aulas, organizar e mediar os debates, além de instigar os alunos a irem atrás do conhecimento que será construído de forma mútua.

Em suma, aprender com ajuda de metodologias ativas permite que os alunos adquiram maior autonomia e desenvolvam confiança. Possibilita, ainda, que os estudantes se tornem profissionais mais proativos, qualificados e aptos a resolverem problemas.

Tais qualidades, mais do que apenas o conhecimento técnico, têm sido cada vez mais buscadas no mercado, já que problemas surgem todos os dias com as mudanças e atualizações das profissões, principalmente com o avanço da tecnologia.

TBL e PBL são algumas das possibilidades

Dentro do universo das metodologias ativas de ensino, há duas siglas muito faladas: Team Based Learning (TBL) e Problem Based Learning (PBL).

No TBL, “aprendizado baseado em equipe” na tradução, o objetivo é fazer com que os alunos busquem as respostas de forma coletiva. Uma aula de TBL funciona assim: os alunos fazem uma leitura prévia solitária indicada pelo professor. Em seguida, passam por um teste individual, e depois e se reúnem em grupo para discutir e debater essas questões. A ideia é que as equipes entrem em consenso sobre as respostas corretas. O professor, então, faz um apanhado geral sobre o tema para entender se todos os alunos estão no mesmo nível de conhecimento.

No PBL, o “aprendizado baseado em problemas”, há algumas variações em relação ao método anterior. O professor apresenta um problema e propõe que os estudantes discutam e formulem questões. Eles deixam a aula com as perguntas em mãos e são incentivados a buscar as respostas na literatura ou mesmo conversando com profissionais. Dias depois, a discussão é retomada e o mentor consegue avaliar a evolução do estudante na busca pelas respostas.

Em ambos os casos as avaliações acontecem entre todos os envolvidos. O aluno se autoavalia, avalia colegas e professores, e também recebe feedbacks contínuos. A nova forma de ensinar ajuda a fixar mais o conhecimento e contraria aquela velha didática que incentiva a decoreba apenas para que o estudante tenha notas altas nas avaliações.