Mulheres na Ciência: elas são maioria, mas têm um longo caminho a percorrer

Pesquisadoras ainda lutam por mais oportunidades em ambientes majoritariamente masculinos; Unisul possui projeto que incentiva ingresso de estudantes da educação básicas em carreiras de exatas

Dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) apontam que em 2020, no Brasil, 58% dos estudantes em cursos de pós-graduação eram do sexo feminino. Houve um aumento em relação ao no ano anterior, quando as mulheres representavam 54% do universo dos bolsistas stricto sensu. 

Embora as pesquisadoras sejam maioria numérica, o ambiente científico ainda é predominantemente masculino, e ainda há uma luta por mais respeito e oportunidades. 

Um relatório da empresa Elsevier, que domina o cenário mundial das publicações científicas, intitulado “A jornada do pesquisador através de lentes de gênero” revela que, apesar de a participação das mulheres na pesquisa estar aumentando em geral, a desigualdade permanece em áreas temáticas em termos de resultados de publicações, citações, bolsas concedidas e colaborações. 

O estudo, atualizado em novembro do ano passado, examinou a participação em pesquisas, progressão na carreira e percepções em 26 áreas temáticas de toda a União Europeia e em 15 países, incluindo o Brasil. O mesmo levantamento mostra também que, em todos os países, a porcentagem de mulheres que publicam internacionalmente – algo essencial para um pesquisador – é menor do que a de homens.

A distribuição do ‘capital científico’ nunca foi igualitária entre os sexos; mesmo no Ocidente, as mulheres permaneceram excluídas do acesso à educação formal por muito tempo – situação que ainda hoje, em pleno século 21, ainda perdura em alguns países. Esse lapso de tempo foi o suficiente para afetar a representatividade delas até os dias atuais.

Para incentivar a participação feminina na ciência, o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, comemorado em 11 de fevereiro, foi instituído em 2015 pela Assembleia das Nações Unidas (ONU). Sob a liderança da Unesco e da ONU Mulheres, o evento acontece em diversos países, com atividades que visam dar visibilidade ao papel e às contribuições das mulheres nas áreas de pesquisa científica e tecnológica, além de despertar o interesse das estudantes para carreiras nessa área. Mas, segundo a ONU, apenas 30% das mulheres que ingressam na universidade escolhem carreiras relacionadas ao STEM – sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Essa distância de profissões ainda atreladas ao público masculino tem diminuído, mas ainda é uma realidade. 

Iniciativas para dar um empurrãozinho

Nos últimos anos, algumas iniciativas têm surgido para reforçar o papel da mulher na ciência, como o L’Oréal-UNESCO For Women in Science criado em 1998 e concedido todos os anos a 15 jovens mulheres cientistas que estejam cursando doutorado ou pós-doutorado. Além da honraria, também há um prêmio em dinheiro para incentivá-las em suas pesquisas: US$ 100 mil para cada vencedora.  

A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) também faz sua lição de casa: possui projetos como o Meninas nas Ciências que incentiva que alunas da educação básica da rede pública da região se interessem por carreiras na área de exatas. A atividade de extensão prevê a realização de oficinas que mesclam conceitos físicos, químicos e matemáticos, e atividades lúdicas e interativas.