Unisul oferece Programa de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para estrangeiros

Convênio permite que alunos norte-americanos aprendam o idioma, estudem na universidade catarinense e conheçam mais sobre o Brasil

Apresentar o Brasil além de seus estereótipos e mostrar o quanto ele pode contribuir com o aprendizado do estudante estrangeiro. Esta é a proposta do convênio de intercâmbio firmado entre a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e o governo dos Estados Unidos, que permite que universitários norte-americanos passem uma temporada estudando na instituição catarinense.

Há três tipos de programas instituídos implementados por órgãos do governo americano. São eles: Flas Fellowship Program, que atende alunos de graduação; o Language Flagship Program, mais focado em estudantes de pós-graduação; e o mais recente, o Critical Language Scholarship Program (CLS), em vigor desde 2019.

A Unisul é a única instituição brasileira credenciada a oferecer o CLS. Ele recebe alunos matriculados em ambas as modalidades de ensino para uma imersão focada na aprendizagem da língua portuguesa e da cultura brasileira.

Desde 2013, a Unisul recebeu 690 alunos vindos de mais de 20 países com este objetivo. Atualmente o CLS está em vigor no formato virtual, até que a situação da pandemia permita o retorno dos intercâmbios. Em 2019, foram 20 alunos atendidos, 16 no ano passado, e a expectativa é receber entre 25 e 30 alunos neste ano.

Os estudantes estrangeiros contemplados recebem bolsa do governo do Estados Unidos para custear a viagem e as despesas no Brasil. Eles ficam hospedados em casas de famílias brasileiras até para fomentar a troca de experiências e culturas entre os dois países.

“Eles são recebidos nas casas de famílias brasileiras, assistem aulas com a gente e vivem algumas experiências culturais, como visitas guiadas a espaços culturais, engenhos, além de práticas esportivas em Florianópolis”, conta Maryualê Malvessi Mittmann, coordenadora do programa. Os estrangeiros que chegam são ‘apadrinhados’ pelos estudantes brasileiros da Unisul que passam a ajudá-los com a prática do idioma e com as atividades cotidianas dentro da universidade e na cidade.

Visão rica sobre o país

Os intercâmbios têm duração mínima de cinco semanas. Nesta temporada, os estrangeiros têm aulas de língua portuguesa, e os que possuem interesse e já têm nível de proficiência no idioma, também podem fazer as Unidades Curriculares, que integram os currículos dos cursos da Unisul.

“Geralmente o aluno faz o curso português básico antes, mas também pode cursar as Unidades Curriculares em inglês que abordam temas como empreendedorismo, negócios e antropologia. Se ele tiver proficiência, também pode assistir às aulas em português”, explica Maryualê. Os conteúdos estudados na Unisul podem ser validados na instituição de origem, onde ele está matriculado.

Maryualê conta que os estrangeiros costumam aprender bem o idioma, por conta da boa estrutura do programa CLS. “Quando eles chegam ao Brasil há um nivelamento, e quando retornam aos seus países também. Dessa forma, medimos o que estão aprendendo. O resultado é sempre positivo.”

Para a coordenadora, a experiência é enriquecedora para todas as instituições envolvidas, tendo em vista que o Brasil “não costuma se colocar na posição de exportar seu conhecimento e sua cultura.” “Nosso país se vende como local de festa e turismo, é claro que temos isso também, mas ter esses programas de intercâmbios que mostram a produção e conhecimento é muito positivo não só para instituição, mas para o país como todo. Assim nos colocamos em pé de igualdade no cenário internacional.”

Para Maryualê, com a oportunidade os estrangeiros também percebem “uma quebra de paradigma e entendem mais a complexidade que é a sociedade brasileira.” “Entendem as relações étnico-raciais e questões do dia a dia, e têm uma visão mais rica do que é o Brasil para além dos estereótipos.”