Unisul vai construir estufas hidropônicas em escolas da rede pública

Com uso restrito de água e funcionamento a base de energia solar, equipamento contribui com a segurança alimentar e incrementa atividades acadêmicas

Depois do sucesso do projeto piloto na unidade de Tubarão, a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) vai implementar uma nova estufa hidropônica no campus Pedra Branca e em escolas da rede pública da região. 

A estufa é um dos resultados do trabalho de pesquisa realizado entre a Unisul e a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), em 2014. Os pesquisadores formaram o Grupo de Pesquisa em Eficiência Energética e Sustentabilidade (Greens) que atua na área de renováveis e se reuniram, na ocasião, para discutir a adoção de estratégias para promover uma economia resiliente no Brasil, no âmbito da gestão da água e alimentos, no contexto das mudanças climáticas. 

José Baltazar Salgueirinho Osório de Andrade Guerra, professor da Unisul a frente do projeto, conta que a estufa hidropônica foi desenvolvida em um projeto piloto, como demonstração de possibilidades que reúnem segurança hídrica, energética e alimentar. 

“A estufa é um exemplo fantástico, porque é capaz de produzir alface e outros vegetais em um espaço pequeno, de 200 metros quadrados. A produção é de até três mil pés de alface em 30 dias, com economia de 90% de água e eletricidade gerada a partir de energia fotovoltaica”, afirma. 

Guerra conta que embora o sistema hidropônico seja mais econômico em relação ao uso de água, de modo geral, ele adota energia elétrica para o funcionamento das bombas que levam água para todo o sistema. “Então, por um lado você economiza água, mas por outro você acrescenta um custo energético que não existia”. 

Quanto à água, o professor explica que na produção de alface no sistema convencional, em plantio feito em canteiros com solo, uma única planta consome até 40 litros de água potável para estar pronta para comercialização e consumo. “Essa quantidade de água é muito grande, principalmente se pensarmos no gasto financeiro e aliado à sustentabilidade.” 

Por isso, ao agregar a energia solar ao sistema hidropônico, o equipamento da Unisul se torna inovador.  

Uso pedagógico

Além de contribuir com a segurança alimentar na região e produzir alimentos de maneira sustentável, a estufa hidropônica localizada em Tubarão também é aproveitada do ponto de vista acadêmico na universidade. Quem assume os trabalhos no local são os alunos da graduação de Agronomia. 

“A alface produzida é distribuída entre alunos, restaurantes da Unisul, e ONGs da região de Tubarão. Mas ela também funciona como um living lab para os alunos de Agronomia e de outros cursos, inclusive Engenharias, que trabalham com sistema de sensoriamento e equipamentos de automação. Com ajuda da tecnologia da Universidade de Cambridge foi possível combinar tecnologia e produção de alimentos”, conta. 

As estufas podem ser utilizadas para plantar outros vegetais, além de alface, assim como temperos e até morangos.  

Captação de chuva

Além da Unidade Pedro Branca, estufas hidropônicas também serão instaladas em duas escolas públicas da região de Tubarão e na Grande Florianópolis. Neste novo formato, a estufa terá ainda outro recurso sustentável: a captação da água das chuvas para reuso. 

Outro plano do Greens é desenvolver estufas em pequenos módulos de um metro quadrado para que as pessoas possam cultivar a hidroponia em suas próprias casas ou apartamentos. “Nossa vontade é levar esse projeto para o continente africano, em países como Angola, Malaui e Guiné Bissau. Era para isso ter acontecido no ano passado, mas a pandemia atrapalhou.”